Epica e Dragonforce - Audio Club, São Paulo - 08/03/2015

Por Fabricio Araújo
Fotos gentilmente cedidas por Leandro Anhelli 

São Paulo no dia 8 de Março recebeu mais um domingo chuvoso, porém isto não foi motivo suficiente para impedir que os fãs das bandas Epica e Dragonforce lotassem o Audio Club. Na verdade, desde quinta (05/03) os "Epicans" já se encontravam na frente do local do evento guardando seu precioso lugar na fila, que no dia do show perto do horário de abertura da casa já se encontrava dobrando a rua de trás do quarteirão.

As portas foram abertas no horário estipulado, e as sete e meia em ponto começou a apresentação da banda inglesa Dragonforce com a "Maximum Overload World Tour”  em divulgação do álbum lançado ano passado, “Maximum Overload”. O grupo já vinha abrindo os shows do Epica desde a Europa e na turnê sul-americana mantiveram o posto (exceto em Porto Alegre onde não tocaram). Desde o início da “intro” os fãs gritavam enquanto os integrantes bastante empolgados assumiam o palco. “Fury of the Storm”, do álbum “Sonic Firestorm” (2004), abriu o show cuja plateia animada, batia palmas e cantava o refrão da música, que terminou sob fortes aplausos e gritos. A noite começava muito bem! “Three Hamers” foi a próxima e a interação entre público e banda continuava em alta, exceto por nessa hora os fãs não atenderem o pedido de Marc Hudson de se separarem para um possível wall of death e circle pit, acredito que pelo espaço ser pequeno e estar muito cheio. Aliás, Marc se mostrou um exímio vocalista, pois esta música (assim como várias outras do Dragonforce) exige uns agudos absurdos que foram muito bem executados.

Antes do sexteto dar sequência ao show, os presentes começaram a gritar o nome da banda que tocou então “The Game”, excelente faixa de abertura do seu trabalho mais recente. Pela primeira vez o tecladista Vadim Pruzhanov se deslocou para a frente do palco, inclusive, não tem como deixar de ressaltar a demasiada movimentação dos integrantes, a todo momento correndo e pulando. Performance extremamente energética! Nesta música o vocalista Marc aparece com uma câmera que anima o público ainda mais, fazendo-o gritar “Hey! Hey! Hey!” (o mesmo repetido em diversos momentos do show).

“Cry Thunder” e a clássica “Valley of the Damned” são executadas com êxito, sendo que  na última somos surpreendidos com Herman Li, Vadim Pruzhanov, Sam Totman e Frédéric Leclercq, tocando parte da música com uma mão em seu respectivo instrumento musical e a outra no de outro integrante! Sensacional! Todos na banda são muito técnicos e virtuosos, todavia Herman Li ganha certo destaque, pois não poupa esforços com sua guitarra girando-a pelo corpo, “batendo-a” na perna e até mesmo tocando-a com a língua!

A apresentação do grupo não poderia encerrar de outra forma senão com sua música mais famosa “Through The Fire and Flames”, ovacionada pelos presentes que a cantaram e até mesmo entregaram para o vocalista Marc um controle de videogame, devido a faixa estar presente no jogo Guitar Hero III. Um show marcado pelo carisma, divertimento, empolgação e forte energia! O Dragonforce foi recepcionado muito bem pelo público de São Paulo que ficou devidamente aquecido para a atração principal da noite, o Epica!


Após pouco mais de dois anos sem vir para o Brasil, período já tradicional para o Epica retornar ao país, a banda holandesa no primeiro domingo de Março fez sua última apresentação da “The Brazilian Enigma Tour” depois de quatro shows em terras brasileiras. A turnê em divulgação do aclamado “The Quantum Enigma” (2014) tem sido um grande sucesso por onde passa, prova disto foi o Audio Club bastante lotado, mostrando que o Epica se encontra em um de seus melhores momentos da carreira.

Após meia hora de arrumação do palco para o espetáculo, as luzes se apagam e às 21h começou a intro “Originem” acompanhada de muitos gritos dos fãs que a cada integrante que aparecia só eram intensificados, chegando a seu auge com a entrada de Simone Simons para dar início a “The Second Stone”. Uma recepção calorosa de um séquito de fãs extremamente entusiasmados! “The Essence of Silence” começa e o público agita gritando “Hey! Hey! Hey!”, algo que se repete no decorrer da música só que acompanhado por palmas. A banda nitidamente contente com toda situação executa a primeira música de trabalho do “The Quantum Enigma” de forma brilhante. Ao término são surpreendidos com os fãs gritando “Epica! Epica! Epica!” em alto e bom tom!

Uma das novidades no set list do Epica na atual turnê foi a inserção de “The Last Crusade” do álbum “Consign to Oblivion” (2005), que só havia sido tocada em São Paulo uma única vez, a primeira do grupo na cidade em 2005, ou seja, a quase dez anos atrás! A resposta para a música foi bastante positiva por parte do público. Na sequência vieram os singles “Unleashed” e “Storm the Sorrow”, dos álbuns “Design Your Universe” (2010) e “Requiem for the Indifferent” (2012), respectivamente. Na primeira, uma das mais aclamadas do álbum do qual faz parte, o público entoou a letra da música com vigor onde no refrão a vocalista direcionava o microfone para os fãs cantarem determinada parte e é correspondida em peso. Na parte à capela surgem as palmas ao fundo da voz angelical de Simone Simons, que termina o último refrão esbanjando um lírico potente e arrepiante. Uma bandeira do Brasil com “Enigma Tour” escrito é entregue para a ruiva neste momento também. Na segunda, a interação da banda e público permanece em alta com a vocalista instigando gritos e logo em seguida o guitarrista Isaac Delahaye as palmas.

Não só com o público, mas a interação entre os músicos em palco também é algo notório, batem cabeça juntos, acenam um para o outro, trocam olhares e caras, deixam evidente o quanto estão à vontade e satisfeitos. Simone se mostra muito carismática e animada, muito mais espontânea do que em sua última passagem pelo Estado em 2012, certamente a maternidade lhe fez muito bem.

Chegou então outro momento inusitado, o guitarrista Mark Jansen pergunta ao público se preferem que seja tocada “Façade of Reality” ou “Fools of Damnation”. As respostas por meio de gritos para ambas é tão forte que o grupo resolve, para a felicidade dos presentes, tocar as duas! “Façade of Reality” integra o debut album “The Phantom Agony” e também se tratava de uma música que não era tocada em São Paulo já tinha longos anos, quase sete anos! Tanto é que os fãs brasileiros chegaram a fazer uma petição online pedindo-a nas apresentações no país. Protagonizando um dos ótimos momentos de interação entre os músicos, nesta faixa Simone se dirige a Coen Janssen, dando o microfone para o tecladista cantar em uma das partes do coro, os dois se divertem e começam a bater cabeça juntos. E ainda os fãs deliram quando a musa holandesa em um dos trechos faz um gesto com a mão em alusão a capa do dvd “We Will Take You With Us”. “Fools of Damnation”, primeira música do set que integra o álbum “The Divine Conspiracy” lançado em 2007, chega para arrebentar ainda mais com o pescoço de todos! Essa música apresenta um dueto sensacional entre os vocais de Simone e Mark além de um instrumental rápido e brutal. Foi o primeiro momento em que Coen se deslocou para a frente do palco com um teclado menor.

“Vocês querem mais?”, arriscou Simons no português, cuja resposta positiva veio através de gritos fervorosos. “Sensorium” então começa com os fãs acompanhados da vocalista aos pulos. A música é consagrada no set do Epica que a tocou em todos os grandes shows já feitos no Brasil, logo os fãs já sabiam exatamente como e em qual momento devem entrar em cena agitando, gerando um momento muito bacana com suas palmas e gritos. É imprescindível destacar a presença de palco do fundador e guitarrista do grupo, Mark Jansen, cujo os vocais cavernosos e rasgados sempre executados com primor, são muito bem explorados em faixas como a destruidora “The Obsessive Devotion”. Além do mais, Jansen é um dos que mais interage com o público, em duas oportunidades chegou a jogar água para os fãs.

O novo single “Victims of Contigency” foi a próxima, curta, pesada e rápida, a música contou com uma performance sensacional do baterista Ariën van Weesenbeek que senta a mão na bateria e faz um uso monstruoso do pedal duplo. O trabalho nas guitarras também é ótimo, pois esta faixa apresenta um dos melhores riffs do novo disco. Na sequência veio aquela música que toda banda possui, aquela que é tida como “hino” e que em hipótese alguma sairá do set list, no caso do Epica estou falando de “Cry for the Moon”. E realmente o Epica transformou a execução desta música numa performance a parte, repleta de dinâmica. Os fãs gritam, aplaudem, e cantam o refrão em uníssono ao passo que neste momento surgem algumas placas são levantadas com “Forever and Ever” escrito, uma delas é pega por Simone Simons que se diverte com o papel durante grande parte da música, onde apresenta a banda e ainda joga com o público cantando o refrão e pedindo que repitam. Coen corre para frente do palco e toca guitarra junto com Isaac, que tempos depois se une a Mark e Rob van der Loo em um bate cabeça enquanto Simone interage com Coen nos teclados. Outro detalhe é que a música é apresentada com uma leve alterada em seu ritmo durante certo período. Um dos pontos altos da noite, sem dúvida!

Logo em seguida tem início o drum solo de Ariën e na sequência outra música que seria tocada pela primeira vez em São Paulo, trata-se da faixa título do quarto álbum do grupo, “Design Your Universe”. Embora seja uma música brilhante, percebi o público um tanto frio exceto pelo momento final que incontestavelmente foi um dos mais bonitos do show. Simone convidou todos para levantarem os braços e balançarem de um lado para o outro, se despedindo sozinha em palco mandando um beijo para o público.

Após todos os integrantes se retirarem, Janssen aparece para falar com os presentes pela primeira vez. Em meio a elogios e agradecimentos aos fãs brasileiros e a produtora Overload por ter trazido a tour para o país, perguntou “Vocês querem mais?!”. Quando de repente Isaac aparece em cena trajando uma camisa do Brasil e corre para o teclado de onde junto com Coen inicia “Sancta Terra”. Neste momento Mark Jansen, Simone Simons e Ariën van Weesenbeek também aparecem vestidos com camisas do Brasil. O show continua com “Unchain Utopia” que explora ótimas linhas vocais líricas de Simone e funciona muito bem ao vivo. “Obrigado, obrigado, obrigado!”, agradece a belíssima frontwoman e anuncia a última música do show, a clássica “Consign to Oblivion” que começa com uma dinâmica entre Coen e Ariën e culmina em mais uma performance explosiva, encerrando assim a “The Brazilian Enigma Tour”.

O público paulista pode presenciar uma verdadeira aula de Symphonic Metal, pois o Epica há anos já se trata de uma das principais bandas da vertente e prova a cada dia que todo destaque que vem ganhando em cenário mundial não é à toa. Apresentando um set list sem as tradicionais baladas e que passeou por todos os seus álbuns, suas músicas pesadas embalaram perfeitamente pescoços, gritos e palmas de fãs por demasia apaixonados. O Epica se encontra em um ótimo momento como banda, acredito que está em sua melhor formação e não tenho dúvidas de que todos os que compareceram ao Audio Club no domingo (08/03) saíram devidamente satisfeitos com o grande espetáculo proporcionado pelo sexteto que demonstrou todo um carinho especial para com o público brasileiro. Noite excepcional, marcando mais uma passagem bem sucedida do Epica pelo Brasil!

Set List Dragonforce:

Fury of the Storm
Three Hammers
The Game
Seasons
Symphony of the Night
Cry Thunder
Valley of the Damned
Through the Fire and Flames

Set List EPICA:

Originem
The Second Stone
The Essence of Silence
The Last Crusade
Unleashed
Storm the Sorrow
Façade of Reality
Fools of Damnation
Sensorium
The Obsessive Devotion
Victims of Contingency
Cry for the Moon
Drum Solo
Design Your Universe

Encore:
Sancta Terra
Unchain Utopia
Consign to Oblivion

Agradecimentos ao Leandro Anhelli pelas fotos cedidas e ao Costábile Salzano Jr. da The Ultimate Music e a Overload pela atenção e credenciamento.

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