Venom Inc - The House, São Paulo - 01/02/2019

Por Leandro Cherutti

Tudo começou há muito tempo, quando na Inglaterra surgiu um movimento que ficou conhecido mundialmente como NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal). Este movimento surgiu no final dos anos 70 e início dos anos 80, e logo se espalhou pelo mundo como um vírus, influenciando dezenas, centenas de bandas nos quatro cantos do globo.

Neste período o Reino Unido era um verdadeiro caldeirão borbulhante, onde surgiam bandas a todo momento, muitas se tornaram consagradas, outras não sobreviveram os anos 80 e outras até mesmo nem conseguiram gravar algo, mas dentre tantas bandas que apareceram neste momento, uma em especial conseguiu seu destaque, ganhando evidência no cenário mundial não por sua técnica, mas sim por criar um estilo rápido e muito mais agressivo do apresentado até então, abordando em suas letras temas satânicos, estou me referindo a banda Venom, amada por muitos e odiada por outros. O grupo é considerado o precursor de um dos estilos mais agressivos do mundo, o Black Metal.

Mas vamos ao que interessa, o último dia 1 de fevereiro foi uma data muito especial para os amantes da música extrema, pois tivemos o prazer de receber na capital paulista uma ramificação da banda Venom. Por que ramificação? Ramificação pois o nome original Venom ficou sobre a guarda de Conrad Lant, mas conhecido pelo público em geral como Cronos, e o que recebemos por aqui nesta última sexta feira se chama Venom Inc., que é praticamente o mesmo Venom que tivemos entre 1989 a 1992, formado por Tony Dolan (baixo), Mantas (guitarra) e Abaddon (bateria). O Venom Inc se formou em 2015 sobre o comando deste trio citado acima, mas infelizmente no ano de 2018 Abaddon abandonou o barco, deixando a responsabilidade das baquetas nas mãos do carismático Jeramie Kling.

Foi uma sexta feira típica de verão, muito calor e trânsito, desta forma eu e muitos outros fãs seguimos para o local do evento, alguns de carro, outros de ônibus, metrô, uber, taxi, não importava a forma, o importante era que chegássemos ao local, conhecido hoje como The House, mas que no passado se chamava Hangar 110, uma das casas mais importantes do underground paulistano. Ao estacionar meu carro e sair do estacionamento, tive a primeira surpresa da noite, ao meu encontro veio nada mais nada menos que Tony Dolan, que fez questão de me dar a mão e um abraço, um momento que guardarei para sempre, mas isto não é de se surpreender, até porque ele sempre foi muito atencioso pessoalmente e virtualmente.

Aproximadamente às 21h05 a casa teve seus portões abertos e o público começou a entrar, permaneci do lado de fora, até que às 21h20 chegou uma van de cor prata, ao abrir a porta notei que era os músicos chegando, bom esta foi a deixa para entrar e esperar. Não esperei muito e por volta das 21h35 um a um os integrantes do Venom Inc começaram a subir no palco, levando a galera ao delírio. O trio abriu sua apresentação com a rápida e ótima composição Metal We Bleed, inclusa no álbum Avé, lançado em 2017. O que viria depois era algo impressionante, um enxurrada de clássicos, o primeiro deles ficou por conta de Die Hard, que levantou o público tão rápido quanto um rastilho de pólvora, ocasionando uma explosão de alegria na pista, e este fogo não se apagou, pelo contrário, só foi se intensificando com mais e mais petardos, logo tivemos Welcome To Hell e Live like an Angel (Die like a Devil) ambas do disco que apresentou o velho Venom ao underground mundial. Em seguida os ingleses mandaram uma trinca avassaladora do álbum Prime Evil, nos remetendo a fase em que o “Venom” contava em sua formação com Tony Dolan e Mantas, esta sequência foi encabeçada por Blackened Are The Priests, seguida por Carnivorous e finalizada por Parasite.

Desde o início o baixo de Dolan estava apresentando um pequeno problema, nada que interferisse em peso no espetáculo, mas chegou um momento que o mesmo parou o show e resolveu intervir, pois a equipe técnica estava tendo certa dificuldade para resolver. Neste momento Mantas assumiu o microfone e passou a arriscar algumas palavras em português, logo depois relatou em inglês o problema cardíaco que o quase levou a morte no ano passado e de forma descontraída mostrou a grande cicatriz que ficou em seu peito, sendo ela fruto do procedimento cirúrgico sofreu na ocasião. Sanado o problema do baixo, o grupo seguiu o espetáculo com mais dois importantes hits, Warhead e Don’t Burn the Witch, momento que sem dúvidas ficaram eternizados em cada mente ali presente.

Com quase metade de seu repertório já executado, os músicos voltaram a apresentar mais uma composição do disco Avé, sendo a escolhida a faixa War, que possui uma pegada forte e um riff marcante, finalizando assim o ciclo deste álbum no imponente setlist.

Além da música em si, o que chama muito a atenção para este Venom é o carisma e atenção que os músicos disponibilizam ao público, ora um, ora outro, sempre algum deles está interagindo de forma intimista com a galera, criando desta forma um clima muito descontraído, unindo ainda mais a banda e fãs.

Dando continuidade à segunda metade da apresentação, chegou a hora de Lady Lust injetar uma dose extra de adrenalina no público, que neste momento já havia transformado a pista em uma espécie liquidificador humano. Logo em seguida vieram outros dois mega clássicos, Leave me in Hell do disco Black Metal de 1982, álbum que deu nome à todo a um estilo musical anos depois e na sequência tivemos mais uma da fase Dolan, desta vez, Temples of Ice.

Tudo que é bom acaba rápido, o tempo estava correndo em uma velocidade acelerada, já nos encaminhávamos para a reta final quando chegou um dos momentos mais altos desta apresentação, ocasião em que a faixa Black Metal passou a ser executada, fãs e músicos cantaram juntos a letra, talvez esta deve ser a música mais conhecida do grupo, logo em seguida mandaram outras duas composições do álbum Welcome to Hell, Sons of Satan e Witching Hour, após  tocarem estes dois hinos a banda deixou o palco, dando início a um coro, onde os insaciáveis fãs clamavam por mais, gritando em uníssono o nome Venom! Venom!

O grupo retornou da melhor forma possível, logo de cara mandaram a poderosa Bloodlust, e não ficaram por ai, depois nos presentearam com a maravilhosa e cadenciada In League with Satan e finalizaram esta soberba apresentação com uma de minhas composições favoritas, Countess Bathory, vale a pena ressaltar que esta última possui uma versão ao vivo muito boa sobre a voz de Tony Dolan, encontrada na coletânea In Memoriun de 1991.  
A simpatia dos músicos não ficou somente no palco, depois de sua apresentação Tony Dolan e Kling fizeram questão de receber a cada fã que os abordou, seja para um autografo, uma foto, ou um simples aperto de mão, já Mantas se dirigiu a van que os levariam ao hotel, mas com a mesma simplicidade recebeu cada fã que se aproximou do veículo e solicitou algo. Este trio nos proporcionou uma verdadeira aula de simpatia e humildade em sua mais pura essência.

Setlist:

Metal We Bleed
Die Hard
Welcome To Hell
Live like an Angel (Die like a Devil)
Blackened Are The Priests
Carnivorous
Parasite
Warhead
Don’t Burn the Witch
War
Lady Lust
Leave me in Hell
Temples of Ice
Black Metal
Sons of Satan
Witching Hour

Bis
Bloodlust
In League with Satan
Countess Bathory











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